Análises Cínicas











{Janeiro 14, 2009}   Dia a dia de um investigador

Hoje estou aborrecido! Passei horas na net a pesquisar a palavra “merda”. Não produziu nenhum resultado significativo… Talvez merda seja a própria net!



{Setembro 12, 2008}   Trabalho de Campo

Tenho 35 anos, sou Antropólogo, e faço trabalho de campo no Second Life.



{Abril 17, 2008}   Uma pergunta

Milhares de portugueses sofrem de impotência sexual, diz-nos um anúncio recente que podemos ver nas televisões… Para eles existe agora esperança, diz-nos o mesmo anúncio! Acho muito bem, até aqui tudo correcto. Mas a minha pergunta é: E para todos os outros que não sofrem dessa doença? Existe esperança? É que penso que penam bastante todos os que não sofrem de impotência sexual e que, querendo dar uso ao corpo, encontram tantas resistências por parte do sexo oposto (se fôr o caso disso).



Angola, de repente, tornou-se um objectivo apetecível para governos e empresas de todo o mundo. Existe todo um país a reconstruir receptivo à entrada das mais variadas empresas, o que os empresários seguramente agradecem. No entanto, se não tivesse outros, Angola teria pelo menos dois grandes problemas a resolver: minas terrestres e estropiados de guerra.
Em relação às minas terrestres pouco vale a pena dizer. Todos compreendem a gravidade de elas lá estarem e as dificuldades que isso traz a um país em processo de reconstrução. Em relação aos estropiados de guerra, vítimas dessas minas ou vitimados por uma outra circunstância qualquer, são um problema para o Governo angolano, mais que não seja pelo que cada um desses indivíduos, incapacitados na maioria dos casos para o trabalho, custa por ano ao Estado.
Pois bem, tenho cá uma ideia: organizem-se excursões! Sim, excursões! Estou certo que esses estropiados, que têm vivido existências precárias e difíceis, agradeceriam que o Governo se lembrasse deles patrocinando-lhes excursões por esse imenso e belo país que é Angola. E, como quem não quer a coisa mas quer, levem esses milhares de estropiados a piqueniques no campo… Imaginem, milhares de pessoas em alegria passeando pelos matos e picadas, felizes da vida, desminando terrenos à sua passagem e deixando de ser um fardo para esse grande país que tanto se tem batido pelos direitos humanos. Resolviam-se, talvez, dois problemas de uma só vez…



{Abril 17, 2008}   Aviso importante

Se neste preciso instante está em horário de trabalho e chegou até aqui significa que anda a meter o nariz onde não deve! Por favor dê meia volta, saia deste blog e de todos os outros que não lhe dizem respeito, e vá fazer aquilo para que o seu patrão lhe paga – TRABALHAR! Pessoas como vocês não são aqui bem vindas. Queremos gente que em horário de trabalho faça aquilo para que lhes pagam engrandecendo (o que se avizinha ser) o futuro deste glorioso Portugal. Estamos fartos de inúteis! Pode, no entanto, passar aqui as restantes horas do seu dia (diga aos amigos, especialmente às gajas).
Caso seja patrão de si mesmo ignore este comentário e coce-os o dia inteiro lendo as parvoíces que aqui formos escrevendo…



{Abril 17, 2008}   Oportunidades de negócio

Numa altura em que se vive uma crise (económica e social) que promete piorar, toda a gente se queixa e poucos tomam consciência das oportunidades que isso trás. Há uns tempos atrás propus uma sociedade a um amigo: Alugávamos um camião e íamos fazer uns périplos por países muçulmanos a vender bandeiras da Dinamarca! Com a saída que elas têm (como produto de primeira necessidade e de consumo imediato) tenho a certeza que em pouco tempo ficávamos ricos. Podíamos até aproveitar e aumentar as margens de lucro vendendo também bandeiras norte-americanas (já notámos que nesses países estas são um produto que nunca passa de moda). E a clientela tenho a certeza que ficaria satisfeita, pois uma coisa é queimar uma bandeira de boa qualidade (até os cabelos se eriçavam de orgulho), e outra completamente diferente é queimar bandeiras de merda feitas de cartão e nada fidedignas.

(Este post foi escrito por altura da polémica com a caricatura de Maomé)



{Novembro 7, 2007}   Vítimas da ciência

Excerto de uma reportagem de uma conhecida cadeia televisiva portuguesa sobre a continuação do drama dos jovens abusados no parque Eduardo VII, em Lisboa, no mês de Outubro de 2007. A redacção informa que este excerto pode ferir os leitores mais sensíveis.

Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Olá jovem!
Jovem X: Tá tudo?
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Que fazem vocês por aqui?
Jovem Y: Nós semos estudantes e gostamos bué de biologia, e por isso vimos para aqui para observar a natureza!
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: A natureza?
Jovem Y: Sim man! A gente semos bons alunos e gostamos deste silêncio e de podermos observar as plantas e a passarada e bicheza deste spot!
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: E nunca vos incomodaram? Nunca apareceu por aqui gente adulta com propostas, a tentar aliciar-vos…
Jovem X: É constantemente!
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Sim?
Jovem Y: Sim man! Infelizmente a gente jovens já não podemos tar sossegados em lado nenhum a observar a natureza! Vêm logo os abusadores a querer abusar e abusar! Nhêda-se…
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Ai sim? E isso acontece muito?
Jovem X: Bué! Ainda hoje fui abusado, meu!
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Verdade? E que fizeram? Participaram o delito às autoridades?
Jovem X: Nada meu! Isto de ser abusado é tão frequente que a gente já nem liga muito! E como este jardim é tão bonito, aqui ao menos encontramos paz e sossego… Preferimos não meter a bófia no assunto! E para mais a observação da natureza tem os seus riscos… ah pois tem… nunca vistes documentários televisivos onde os observadores são quase apanhados por leões ou crocodilos? Isto é preciso tê-los no sítio man! Não é para qualquer um! Os lingrinhas é melhor irem estudar para médicos e cenas…
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Mas não vos choca essa situação dos abusos!
Jovem Y: Claro que sim! A gente ficamos bué chocados! Mas que havemos nós de fazer quando… Man! Olha! Olha!
(O repórter olha na direcção indicada, para uns arbustos próximo dali)
Jovem Y: Lá tá o Ramiro! Foi ali para observar melhor um formigueiro para um trabalho que a stôra deu lá na escola e vê… já está a ser abusado! O resto da tarde vai ter de fazer observação vertical! É triste! (Gritando para o amigo) Força Ramiro! Aguenta man! É pela ciência man!
Repórter de uma conhecida cadeia televisiva: Que é observação vertical?
Jovem X: (Risos) Man, não percebes nada de observação de natureza meu! Observação vertical é quando fazes observação sempre de pé!



{Outubro 31, 2007}   Lisboa

Se há uma coisa que adoro em Lisboa é que por muita figura de parvo que se possa fazer há sempre alguém que faz tanto ou pior que nós. Nunca se está sózinho na parvoice…



{Outubro 10, 2007}   Coimbra

Coimbra é uma cidade cheia de paisagens maravilhosas. A imagem mais bonita, para mim, é de Coimbra no espelho retrovisor de um automóvel quando me afasto dela…



{Setembro 28, 2007}   Antigamente era assim…

Toda a gente comenta, ou melhor, toda a gente que pensa mínimamente sobre as coisas comenta, que na Idade Média houve um grande retrocesso tecnológico em certas zonas da Europa por relação ao período do Império Romano, muito mais antigo.

Pus-me a pensar nas razões de ser assim e imaginei quão difícil deveria ser ser-se inventor no período da inquisição! Senão imaginemos só as seguintes situações na Idade Média…

1 – Num baptismo um padre pergunta à mãe da criança: “Profissão?” E ela responde “Doméstica!”, e depois faz a mesma pergunta ao pai que vai a responder “Inventor” mas que a tempo se cala e substitui por “Inválido”, ao que o padre levanta um olho e franze a testa…

2 – Um jovial bando de inquisidores passeia-se alegremente, com as suas vestes engraçadas e muito na moda à época, por uma miserável aldeia rodeada de charcos de bosta… e dá com um homenzinho raquítico e sujo que trás na mão um passe-vite que tinha acabado de inventar para facilitar a feitura de purés. Atiram-lhe: “Que é lá isso?” O homenzinho roto e de dentes podres, miserável desculpa para um ser humano, tenta esconder o passe-vite atrás das costas e diz com vozinha fina de quem se alimenta sempre mal “Nada! É… é um chapéu!” E os inquisidores dizem “Hummm… mau mau mau! Vê lá se queres ser churrasco!”

3 – Uma menina está distraída no pátio de sua casa ouvindo música medieval no seu pequenino rádio de ondas curtas, quando passa o inquisidor-mor da aldeia pela rua e espreita por cima do muro. Vendo-a encostada a uma pequena caixa de onde saem sons da mais futurista modinha medieval, atira-lhe furiosamente “Que é isto?! Bruxa! Bruxa! Feiticeira!”… A menina treme e quase a chorar diz “É só um rádiozinho que inventei…” Claro que nem é preciso contar como terminaria a história…

4 – Um grupo de amigos plebeus de uma aldeia miserável próxima de Guimarães está reunido num sábado à noite na cabana de um deles assistindo pela televisão a um jogo do campeonato da liga dos torneios a cavalo, bebendo umas taças de tinto e petiscando uns coiratos, quando batem à porta, mesmo a meio do momento em que a equipa da casa ia investir contra o adversário… O dono da casa pede a um dos presentes que estava mais próximo da porta para ir ver quem era, e este diz-lhe de lá com voz de pânico: “São os inquisidores!”, ao que o dono da casa atira com cólera clubística “Foda-se! Vêm mesmo estragar o momento melhor! Está empatado e ia a prolongamento… Caralho!”

5 – Um pastor ambientalista, farto da poluição gerada pelas lareias a arder para aquecimento, e do abate desmedido das florestas, decide um dia construir uma represa por forma a fazer com a força das águas girar helices que, ligadas a fios metálicos, iriam produzir corrente eléctrica que substítuiria eficazmente e de uma forma amiga do ambiente a energia gerada pelas fornalhas. Estava ele assobiando uma músiquinha pimba medieval nesta tarefa de unir com troncos de árvore, ligados e isolados com barro, duas colinas próximas, entre as quais passava um rio, quando lhe surge de repente, por detrás, um desses tais bandos de alegres inquisidores que lhe perguntam: “Que fazes animal?”… O homenzinho, claro, viu o filme todo passar-lhe à frente dos olhos vesgos e, aceitando o destino e deixando cair os ombros responde “Faço merda, como sempre! É o que faço!”

Pois é, a vida dos inventores na Idade Média não deveria ser nada fácil, com os bandos de alegres inquisidores (ou em inglês gay inquisitors) sempre a saltitar por ali… Talvez também por isso se tenha mergulhado nesse período de trevas e retrocesso. Deixo-vos só com uma pergunta: Na Idade Média, quanto tempo acham que aguentaria um guitarrista, com a sua guitarra eléctrica e um bom amplificador, a tocar o Avé Maria de Schubert junto à Sé Catedral de Lisboa?



et cetera